O sarampo, uma doença infecciosa altamente contagiosa que já foi uma das principais causas de mortalidade infantil no mundo, volta a preocupar as autoridades de saúde no Brasil. Em um cenário global de baixa cobertura vacinal em alguns países e intenso fluxo de viajantes, como o esperado para eventos internacionais, o risco de reintrodução e disseminação da doença em território nacional se torna uma realidade iminente. Essa preocupação foi expressa pelo Ministério da Saúde, que emitiu alertas importantes sobre a necessidade de reforçar a imunização.

Apesar dos avanços significativos no controle e na prevenção por meio da vacinação nas últimas décadas, o sarampo ainda representa um desafio contínuo para a saúde pública. A reemergência da doença, observada em diversos lugares, é um lembrete de que a vigilância e a vacinação em massa são ferramentas indispensáveis para manter a população protegida. Compreender os sintomas, os riscos e, principalmente, as formas de prevenção é fundamental para cada cidadão.

Sarampo: O que é e por que ainda preocupa?

O sarampo é uma infecção viral grave, causada pelo vírus Morbillivirus, da família Paramyxoviridae. Antes da vacina, a doença era praticamente universal, afetando a maioria das crianças em algum momento da vida. Com a introdução da vacinação, o Brasil chegou a obter o certificado de eliminação do sarampo em 2016, um marco que demonstra o poder da imunização. Contudo, a queda nas taxas de cobertura vacinal nos anos seguintes, impulsionada por diversos fatores, abriu as portas para a reintrodução do vírus.

A gravidade do sarampo reside não apenas em seus sintomas agudos, mas também no seu potencial de causar complicações sérias, que podem deixar sequelas permanentes ou, em casos mais graves, levar à morte. A doença tem um período de incubação de cerca de 7 a 18 dias, o que significa que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus antes mesmo de manifestar os primeiros sinais visíveis, tornando o controle da sua propagação ainda mais complexo sem a proteção vacinal.

Transmissão: Um Vírus de Alta Contagiosidade

A característica mais marcante do sarampo é sua altíssima capacidade de contaminação. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, principalmente por meio do contato com secreções respiratórias, liberadas no ar quando a pessoa infectada tosse, espirra, fala ou respira. O vírus pode permanecer viável no ar ou em superfícies por até duas horas após a pessoa infectada ter deixado o ambiente.

Essa facilidade de disseminação significa que uma única pessoa com sarampo pode infectar até 90% das pessoas próximas que não estejam imunizadas, seja por vacinação ou por já terem tido a doença. O período de transmissibilidade abrange desde seis dias antes do aparecimento das manchas vermelhas na pele até quatro dias após, tornando a identificação precoce e o isolamento essenciais para conter surtos. Em ambientes fechados e com aglomeração, o risco é ainda maior, o que reforça a preocupação em períodos de grandes eventos.

Sinais e Sintomas: Como Reconhecer a Doença

Os sintomas do sarampo podem ser inicialmente confundidos com os de outras viroses comuns, como gripes e resfriados, o que exige atenção redobrada. A doença geralmente começa com febre alta, que pode ultrapassar os 38,5°C, acompanhada de outros sinais característicos.

Sintomas Iniciais e Progressão

Além da febre, os principais sinais incluem tosse seca persistente, irritação nos olhos (conjuntivite), nariz escorrendo e mal-estar intenso. Um sinal clínico bastante específico, embora nem sempre presente ou fácil de identificar, são as manchas de Koplik, pequenos pontos brancos que aparecem na mucosa interna da bochecha, geralmente antes do surgimento da erupção cutânea. Entre três a cinco dias após o início desses sintomas, surgem as manchas vermelhas na pele, conhecidas como exantema. Elas tipicamente começam no rosto e atrás das orelhas, espalhando-se progressivamente para o tronco e membros. A febre alta que persiste mesmo após o surgimento das manchas é um sinal de alerta, especialmente em crianças menores de 5 anos, e pode indicar o desenvolvimento de complicações.

Complicações Graves: Por que o Sarampo é Perigoso

A percepção de que o sarampo é uma doença benigna é um equívoco perigoso. Ele pode causar uma série de complicações sérias, que variam desde infecções secundárias até danos neurológicos permanentes e óbito. Bebês, crianças pequenas, gestantes e pessoas imunocomprometidas são as que correm maior risco de desenvolver as formas mais graves da doença.

Principais Riscos à Saúde

Entre as complicações mais comuns e preocupantes, destacam-se a pneumonia, que é a causa mais frequente de morte relacionada ao sarampo em crianças pequenas. Cerca de uma em cada 20 crianças com sarampo pode desenvolver essa infecção pulmonar. Outra complicação é a otite média aguda (infecção no ouvido), que afeta aproximadamente uma em cada dez crianças e, se não tratada adequadamente, pode levar à perda auditiva permanente. Mais rara, mas extremamente grave, é a encefalite aguda, uma inflamação do cérebro que ocorre em uma a cada mil crianças. Ela pode causar danos cerebrais severos, resultando em sequelas neurológicas duradouras ou até mesmo a morte em cerca de 10% dos casos. Em geral, a taxa de mortalidade por sarampo varia de 1 a 3 a cada mil crianças infectadas, o que ressalta a importância de não subestimar a doença.

Diagnóstico e Tratamento: O que Fazer?

O diagnóstico do sarampo pode ser inicialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas apresentados pelo paciente. No entanto, para a confirmação e para fins de vigilância epidemiológica, o diagnóstico laboratorial é o mais indicado. Ele é feito por meio de amostras de sangue, para detectar anticorpos específicos, e também por amostras de secreção de orofaringe, nasofaringe e urina, que podem identificar a presença do vírus.

É fundamental ressaltar que não existe um tratamento antiviral específico para o sarampo. A abordagem terapêutica foca no alívio dos sintomas e na prevenção ou tratamento das complicações. Isso inclui manter a hidratação adequada, garantir suporte nutricional, controlar a febre com antitérmicos e, em alguns casos, administrar vitamina A, que comprovadamente ajuda a reduzir a gravidade da doença em crianças pequenas. O uso de antibióticos é contraindicado, exceto se houver indicação médica para tratar infecções bacterianas secundárias, como pneumonia ou otite. Caso apresente sintomas, a orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde e evitar a automedicação, pois somente um profissional pode avaliar o quadro e indicar a melhor conduta.

A Prevenção é a Chave: Vacinação Contra o Sarampo

A forma mais eficaz e segura de prevenir o sarampo é a vacinação. A vacina tríplice viral (SRC), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e é a principal ferramenta de combate à doença. O esquema vacinal padrão no Brasil consiste em duas doses:

A primeira dose da vacina tríplice viral é recomendada para crianças a partir dos 12 meses de idade. A segunda dose, que garante uma proteção mais duradoura, é aplicada aos 15 meses, geralmente na apresentação da vacina tetra viral (SCRV), que adiciona a proteção contra a varicela (catapora). Em situações de surtos ou alto risco de infecção, o Ministério da Saúde pode recomendar a aplicação de uma 'dose zero' para bebês entre 6 e 11 meses de idade, visando oferecer uma proteção inicial em um grupo etário mais vulnerável às formas graves da doença. Essa dose extra não substitui as doses do calendário regular e deve ser seguida pelo esquema normal.

A imunização não se restringe apenas à infância. Adolescentes e adultos que não foram vacinados ou não têm comprovação de duas doses da vacina tríplice viral também devem procurar um posto de saúde para atualizar sua caderneta de vacinação. Manter altas taxas de cobertura vacinal em toda a população é crucial para a chamada 'imunidade de rebanho' ou 'imunidade coletiva', que protege indiretamente aqueles que não podem ser vacinados, como bebês muito pequenos ou pessoas com certas condições de saúde. A vacinação é um ato de responsabilidade individual que se traduz em proteção coletiva, garantindo a segurança de toda a comunidade contra doenças altamente evitáveis.

O sarampo é uma doença séria, mas que pode ser controlada e, idealmente, eliminada com o esforço conjunto da população e das autoridades de saúde. Entender seus riscos e, principalmente, cumprir o calendário de vacinação são passos essenciais para proteger a si mesmo e a todos ao seu redor. Mantenha sua caderneta de vacinação em dia e ajude a garantir um futuro mais saudável para o Brasil. Continue acompanhando o Renova Receita para ter acesso a mais conteúdos variados e informações confiáveis sobre saúde, bem-estar e cuidados para o seu dia a dia.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br