A confirmação de um caso de raiva em um cão na Zona Oeste do Rio de Janeiro, no bairro de Santa Cruz, reacendeu o alerta das autoridades de saúde sobre a persistência e a gravidade dessa zoonose. O animal, que infelizmente precisou ser sacrificado, tinha histórico de contato com morcegos, o que sublinha a relevância de medidas preventivas e do conhecimento sobre a doença para tutores de pets e para a população em geral. Este episódio, divulgado em setembro pela Secretaria de Estado de Saúde fluminense (SES-RJ), serve como um lembrete crucial de que a raiva, apesar de controlada em muitas regiões, continua a ser uma preocupação de saúde pública que exige vigilância constante.

O caso mobilizou uma pesquisa epidemiológica conduzida pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, em colaboração com a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais. Felizmente, as pessoas que tiveram contato com o cão receberam prontamente a profilaxia antirrábica, e não foi registrado nenhum caso de raiva humana decorrente deste incidente. Essa agilidade na resposta demonstra a importância dos protocolos de saúde para evitar a propagação da doença. No entanto, o histórico de casos humanos no estado, como os registrados em São José do Vale do Rio Preto em 2006 e em Angra dos Reis em 2020, ambos com transmissão via morcego, reforça a necessidade contínua de atenção e prevenção.

Raiva: uma zoonose perigosa e ainda presente

A raiva é uma zoonose viral de alta letalidade, provocando uma inflamação progressiva no cérebro que, uma vez iniciados os sintomas, tem desfecho quase sempre fatal. A transmissão para humanos ocorre principalmente por meio da mordida, arranhadura ou lambedura de pele lesionada por um animal infectado. Embora cães e gatos sejam os transmissores mais conhecidos no ambiente doméstico, os morcegos e outros mamíferos silvestres desempenham um papel significativo na manutenção do ciclo da doença na natureza, sendo uma fonte de infecção para animais domésticos.

É fundamental que os tutores de animais estejam atentos aos sinais de raiva. Em cães e gatos, a doença pode se manifestar por mudanças bruscas de comportamento, como agressividade incomum ou, ao contrário, excessiva docilidade. Outros sintomas incluem salivação intensa, dificuldade para engolir, vocalização alterada, falta de coordenação motora e paralisia progressiva. Ao observar qualquer um desses sinais, especialmente após um possível contato com animais silvestres ou desconhecidos, a vigilância municipal em saúde deve ser comunicada imediatamente.

A vacinação antirrábica: a principal barreira de proteção

Diante da seriedade da raiva, a vacinação antirrábica de cães e gatos é, sem dúvida, a medida preventiva mais eficaz. Conforme reforçado pelo presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), Diogo Alves, a manutenção da vacinação em dia é uma responsabilidade de todos os tutores. “A confirmação desse caso mostra que a raiva continua sendo uma preocupação de saúde pública e que a prevenção precisa fazer parte da rotina. A vacinação dos animais e o cuidado diante do contato com morcegos são medidas que podem evitar situações de risco”, afirmou.

A vacinação antirrábica é realizada anualmente, geralmente por meio de campanhas coordenadas pelos municípios, seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Profilaxia e Controle da Raiva. No estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde atua na coordenação, orientação técnica, monitoramento e apoio às secretarias municipais para garantir a eficácia dessas campanhas. A participação ativa dos responsáveis pelos animais é crucial para ampliar a cobertura vacinal, protegendo não apenas os pets, mas toda a comunidade.

Outras medidas essenciais para a segurança de pets e pessoas

Proteja seus animais domésticos

Além da vacinação, outras precauções são importantes para minimizar o risco de raiva. Recomenda-se evitar que cães e gatos tenham acesso livre às ruas. Para os cães, a utilização de coleira e guia durante os passeios é fundamental para controlar seu contato com outros animais. Gatos, por sua vez, devem ser mantidos em ambiente domiciliar, preferencialmente com telas de proteção em portas e janelas, prevenindo o contato com morcegos ou outros animais silvestres que possam estar infectados. Além disso, é crucial não manipular animais desconhecidos, feridos, doentes ou que apresentem comportamento alterado, para evitar exposições desnecessárias.

Morcegos: a importância da conscientização

Embora sejam potenciais transmissores da raiva, os morcegos desempenham um papel ecológico vital. Esses animais contribuem significativamente para a polinização de plantas, a dispersão de sementes e a regeneração de áreas degradadas, além de auxiliar no controle de insetos noturnos. Eles são parte da fauna silvestre brasileira e protegidos por lei. Por isso, a orientação é sempre de cautela e respeito. Morcegos encontrados durante o dia, caídos no chão, pendurados em locais incomuns ou com comportamento atípico podem estar doentes. Nesses casos, a recomendação é clara: não tocar no animal, vivo ou morto, e acionar imediatamente o serviço de zoonoses do seu município para que o recolhimento seja feito de forma segura por profissionais.

O que fazer em caso de contato com animais suspeitos

Em uma situação de mordedura, arranhadura ou lambedura de mucosa ou de pele lesionada por qualquer mamífero – seja doméstico ou silvestre –, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível. Não importa o quão pequeno o ferimento possa parecer, ou quanto tempo tenha se passado desde o contato; a avaliação médica é indispensável. O local da lesão deve ser lavado imediatamente e de forma abundante com água corrente e sabão, para remover o vírus. A equipe de saúde avaliará a necessidade de iniciar a profilaxia antirrábica, que pode incluir a aplicação da vacina e, quando indicado, de soro ou imunoglobulina.

A urgência é ainda maior em casos de agressão por morcegos ou outros mamíferos silvestres, que são considerados situações graves independentemente da extensão da lesão. Já para cães ou gatos domiciliados que possam ter causado uma agressão, é fundamental mantê-los em observação por 10 dias. Durante esse período, qualquer alteração no estado de saúde, adoecimento, morte ou desaparecimento do animal deve ser imediatamente comunicada à vigilância sanitária. Essas ações são vitais para a segurança individual e coletiva, garantindo que a raiva continue sendo uma doença controlável em nosso meio.

A raiva é uma ameaça que exige a colaboração de todos: tutores de animais, profissionais de saúde e a comunidade. A informação e a prevenção são as ferramentas mais poderosas para manter nossos pets e nossas famílias seguros. Mantenha-se atualizado e continue acompanhando o Renova Receita para ter acesso a conteúdos variados e informações confiáveis sobre saúde, bem-estar e o seu dia a dia.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br