A Medicina de Família e Comunidade (MFC) reafirmou sua importância no cenário da saúde brasileira durante o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral (CBMG). O evento, promovido pela Associação Médica Brasileira (AMB) e realizado em 2026, reuniu milhares de profissionais para discutir os rumos e desafios da prática médica no país. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) teve uma participação significativa, marcando presença pela terceira vez, com uma mesa-redonda dedicada à especialidade e um estande informativo, reforçando seu papel central na Atenção Primária à Saúde (APS) e na coordenação do cuidado.
O Congresso Brasileiro de Medicina Geral: Um Fórum de Integração
O CBMG consolidou-se como um dos principais encontros da classe médica, atraindo aproximadamente 4.200 inscritos e contando com 400 conferencistas de diversas especialidades. Sua proposta é fomentar o diálogo e a troca de conhecimentos entre diferentes áreas da medicina, abordando temas que impactam a saúde da população de forma ampla e sistêmica. Para a Medicina de Família e Comunidade, participar de um congresso multidisciplinar como este é essencial para integrar a visão da APS com as demais especialidades, promovendo um cuidado mais coordenado e eficaz.
A presença da SBMFC no congresso não se limitou à mesa-redonda. A entidade também manteve um estande na feira de exposição, onde divulgou o 19º Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade (19º CBMFC), que será um importante espaço para aprofundar os debates da área. Além disso, anunciou a 38ª edição da prova para obtenção do Título de Especialista em Medicina de Família e Comunidade, com inscrições a partir de 1º de julho, um passo fundamental para o reconhecimento e a qualificação dos profissionais da área.
Debates Cruciais na Mesa-Redonda de MFC
A mesa-redonda intitulada “Medicina de Família e Comunidade” trouxe à tona discussões pertinentes e atuais para a atuação da especialidade. Liderada por importantes figuras da SBMFC – Zeliete Zambon, vice-presidente; Brenda Costa, diretora de Comunicação; e Isadora Vianna, diretora do Departamento de Desenvolvimento Profissional Contínuo –, a sessão abordou temas que vão desde a forma de abordagem do paciente até os desafios mais amplos da saúde global, sempre sob a ótica da Atenção Primária à Saúde.
Método Clínico Centrado na Pessoa: Cuidado Integral e Coordenado
A vice-presidente Zeliete Zambon, em sua apresentação “Método Clínico Centrado na Pessoa na coordenação de cuidados médicos”, destacou uma das características mais distintivas do médico de família e comunidade: a capacidade de coordenar o cuidado ao longo do sistema de saúde. Isso significa que o profissional de MFC atua como um verdadeiro gestor de informações e articulador do percurso assistencial do paciente, garantindo que ele transite adequadamente entre os diferentes níveis de atenção, desde a prevenção até o tratamento especializado.
A abordagem centrada na pessoa vai além da doença, considerando o indivíduo em sua totalidade. Zeliete enfatizou a importância de compreender aspectos culturais, os mecanismos que o paciente utiliza para lidar com suas condições de saúde, o momento de seu ciclo de vida (infância, adolescência, fase adulta, terceira idade) e sua rede de apoio familiar e social. Ao integrar essas informações, o médico de família e comunidade consegue construir planos terapêuticos mais efetivos e verdadeiramente alinhados às necessidades e à realidade de cada um, evitando a fragmentação do cuidado e promovendo melhores resultados de saúde para as pessoas e suas famílias no dia a dia.
Saúde Mental no Território: Olhar Ampliado para a Comunidade
Brenda Costa, com a palestra “Atenção à saúde mental no território”, trouxe um debate fundamental sobre a influência dos determinantes sociais na saúde mental. Ela ressaltou que a forma como lidamos com a saúde mental deve considerar as características específicas de cada comunidade, pois condições semelhantes podem se manifestar de maneiras distintas dependendo do ambiente social e geográfico em que ocorrem. Moradia, educação, emprego e saneamento básico são exemplos de determinantes que impactam diretamente o bem-estar mental das pessoas.
A diretora salientou que o “C” de comunidade na Medicina de Família e Comunidade representa o vínculo profundo com o território e com as pessoas que nele vivem. O cuidado em saúde mental, nesse contexto, ultrapassa o tratamento de sintomas ou diagnósticos isolados, abraçando a pessoa em sua integralidade, seus laços sociais, seu sentimento de pertencimento e sua identidade comunitária. Brenda apresentou experiências de diagnóstico comunitário e iniciativas bem-sucedidas em áreas marcadas por vulnerabilidade social e violência, mostrando como ações coletivas podem ser poderosas ferramentas na promoção da saúde mental e na construção de uma cultura de paz.
Saúde Planetária: Os Impactos das Mudanças Climáticas na Saúde
Encerrando a mesa-redonda, Isadora Vianna abordou o tema “Saúde Planetária”, um conceito que enfatiza a interconexão entre a saúde humana e a saúde dos ecossistemas. A diretora, que também coordena o Grupo de Trabalho de Saúde Planetária da SBMFC, alertou para os crescentes impactos das mudanças climáticas sobre a população e os desafios que esse cenário impõe aos sistemas de saúde. Eventos climáticos extremos, como ondas de calor mais intensas, o aumento da poluição do ar, queimadas e alterações nos padrões de transmissão de doenças infecciosas, como as arboviroses, já são uma realidade que afeta diversas especialidades médicas, desde a cardiologia e a pneumologia até a saúde mental.
Isadora destacou que as mudanças climáticas são reconhecidas como um dos maiores desafios para a saúde no século XXI. Seus efeitos práticos incluem o aumento de doenças relacionadas ao calor extremo, a sobrecarga dos serviços de saúde e a poluição atmosférica, que é um dos principais fatores de risco para doenças e mortalidade em todo o mundo. O médico de família e comunidade, por estar na linha de frente do cuidado e no contato direto com a comunidade, tem um papel fundamental em reconhecer esses impactos, orientar os pacientes e atuar na prevenção e mitigação dos riscos à saúde decorrentes das alterações ambientais.
O Compromisso Contínuo com a Saúde e o Cuidado Integral
Além das discussões sobre temas contemporâneos, o congresso também contou com a participação de Karina Soares, médica de família e comunidade, que contribuiu na mesa sobre “Acompanhamento do Desenvolvimento Infantil na Atenção Primária à Saúde”. Essa presença reforça a abrangência da especialidade, que atua desde o cuidado materno-infantil até a saúde do idoso, sempre com uma visão longitudinal e integral do paciente e sua família.
A participação ativa da SBMFC no 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral sublinha o compromisso da entidade com a qualificação da prática médica, a valorização contínua da Atenção Primária à Saúde e o fortalecimento da Medicina de Família e Comunidade. Essa especialidade é fundamental para organizar os sistemas de saúde de forma eficiente e humanizada, garantindo que cada cidadão receba um cuidado de qualidade, próximo e contínuo. Os debates e trocas de experiências em eventos como este são essenciais para moldar um futuro da saúde mais resiliente e focado nas pessoas.
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Fonte: https://sbmfc.org.br
