A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio de sua plataforma InfoGripe, divulgou dados que acendem um alerta para a saúde pública brasileira. O relatório recente aponta um aumento significativo nas hospitalizações causadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em diversas partes do país. Paralelamente, em algumas regiões, também foi registrado um crescimento nas internações por gripe, provocada pelos vírus influenza A e B. Este cenário é particularmente preocupante com a chegada das estações mais frias, que intensificam a circulação de vírus respiratórios em ambientes fechados e com aglomeração.

O que o InfoGripe nos revela?

O InfoGripe é uma ferramenta vital para o monitoramento contínuo das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG). Analisando dados clínicos e laboratoriais, identifica tendências e regiões de risco, fornecendo informações cruciais para a gestão da saúde pública. A análise mais recente, da Semana Epidemiológica 22 (31 de maio a 6 de junho), sublinha a necessidade de vigilância, pois esse período coincide com a queda das temperaturas e o maior risco de transmissão viral.

VSR e Gripe: Impacto por faixa etária

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal responsável por infecções respiratórias severas em crianças pequenas, especialmente bebês e lactentes, onde as hospitalizações por SRAG em menores de 4 anos são impulsionadas pelo VSR. A gripe, causada pelos vírus influenza A e B, também preocupa. A influenza A tem predominado entre jovens, adultos e idosos com SRAG, enquanto a influenza B mostra crescimento notável nas faixas etárias de 5 a 14 anos e de 15 a 49 anos. Entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, o rinovírus também se destaca, reforçando a complexidade do panorama viral.

Cenário nacional da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)

A SRAG é a complicação mais severa das infecções virais respiratórias, sendo responsável por milhares de hospitalizações e óbitos. O levantamento da Fiocruz indica que, em 2026, já foram registrados 3.591 óbitos de SRAG. O estudo identificou que 11 das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com indícios de crescimento também na tendência de longo prazo, que considera as últimas seis semanas.

Estados sob atenção máxima

Os estados em alerta ou risco elevado incluem Acre, Alagoas, Amapá, Paraná, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo. Nesses locais, a vigilância e as ações preventivas são cruciais. Além disso, mesmo com sinais de estabilização, outras 12 unidades da Federação, como Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba e Rio de Janeiro, ainda registram níveis de alerta ou risco para SRAG, indicando que a necessidade de cuidados é abrangente no país.

Proteja-se: medidas preventivas essenciais

Diante deste cenário, a pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz, ressalta a importância de medidas preventivas simples e eficazes. A lavagem frequente das mãos com água e sabão ou uso de álcool em gel é fundamental. O uso de máscaras em ambientes de saúde, locais aglomerados, ou com pouca ventilação é recomendado, especialmente ao apresentar sintomas respiratórios. Em caso de sintomas, o isolamento é crucial. Se não for possível, o uso de máscaras de alta qualidade, como N95 ou PFF2, é fortemente indicado ao sair de casa. Essas atitudes protegem tanto o indivíduo quanto a comunidade, especialmente os mais vulneráveis.

A importância da vacinação

A vacinação emerge como a ferramenta de proteção mais poderosa. Tatiana Portella enfatiza que indivíduos dos grupos prioritários e elegíveis devem buscar a vacina contra a influenza e, quando disponível e recomendada, contra o VSR. A imunização é comprovadamente eficaz na redução do risco de desenvolver formas graves da doença, evitando hospitalizações e óbitos. É um ato de cuidado individual com impacto significativo na saúde pública, contribuindo para a redução da pressão sobre os sistemas de saúde.

O panorama atual, delineado pelo InfoGripe da Fiocruz, reforça a necessidade de vigilância contínua e de ações preventivas por parte de todos. Compreender os riscos associados ao VSR e à gripe, identificar os grupos mais vulneráveis e seguir as recomendações de saúde são passos vitais para proteger sua família e a comunidade. A informação atualizada e confiável é uma ferramenta poderosa na manutenção da saúde. Para se manter sempre bem informado sobre esses e outros temas relevantes para o seu dia a dia, continue acompanhando o Renova Receita, onde você encontra conteúdos variados e informações de qualidade para sua vida.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br