Em um cenário de desafios crescentes na saúde pública, o IV Fórum de Infectologia reuniu especialistas para debater temas cruciais que impactam diretamente o dia a dia da população brasileira. Sob o lema “Doenças Imunopreveníveis – sempre um desafio”, o evento abordou questões como a complexidade da hesitação vacinal e a importância das imunizações na prevenção de enfermidades como a dengue e o herpes zóster. As discussões trouxeram à tona a necessidade de abordagens multifacetadas e o papel fundamental de cada cidadão na proteção da saúde coletiva.

A Complexidade da Hesitação Vacinal e Seus Impactos

A hesitação em vacinar-se ou vacinar os filhos tornou-se um fenômeno global, com repercussões significativas no Brasil. O pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, conselheiro federal pelo estado de Pernambuco, destacou que as razões para essa diminuição na cobertura vacinal são diversas e complexas. Não se trata de uma única causa, mas de um conjunto de fatores sociais, institucionais, políticos e de comunicação que se entrelaçam e variam entre diferentes grupos e regiões.

Entre os motivos apontados, estão a desinformação disseminada, muitas vezes amplificada pelas redes sociais, a falta de confiança em instituições de saúde e até mesmo barreiras práticas. Algumas famílias podem ter dificuldade em conciliar os horários dos postos de saúde, encontrar os imunizantes disponíveis ou simplesmente não receber uma orientação clara e enfática sobre a importância da vacinação.

Nesse contexto, a figura do profissional de saúde assume um papel insubstituível. Cabe ao médico e a toda a equipe de saúde não apenas corrigir informações falsas, mas também reconstruir a confiança e estabelecer um diálogo empático com pacientes e suas famílias. A recomendação clara, firme e baseada em evidências científicas, vinda de um profissional de saúde, ainda é uma das ferramentas mais eficazes para convencer as pessoas sobre a segurança e a eficácia das vacinas.

Para que o Brasil recupere seu histórico de sucesso em campanhas de vacinação, são necessárias ações concretas. A ampliação dos horários de atendimento em unidades de saúde, a garantia da disponibilidade dos imunizantes em todos os locais e a implementação de estratégias de busca ativa para alcançar quem ainda não se vacinou são passos fundamentais. Tais medidas visam remover as barreiras físicas e informacionais, tornando a vacinação mais acessível e integrada à rotina da população.

Dengue: O Combate Contínuo e o Papel das Vacinas

A dengue continua sendo um grande desafio de saúde pública no Brasil, com picos epidêmicos que variam de intensidade e localização anualmente. O infectologista Kleber Giovanni Luz ressaltou que a incidência da doença flutua bastante, impactando milhares de brasileiros a cada ano e gerando uma carga significativa nos sistemas de saúde. A doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, exige uma vigilância constante e ações preventivas eficazes.

A prevenção da dengue se baseia em uma combinação de estratégias. O controle do mosquito vetor, através da eliminação de focos de água parada em residências e ambientes públicos, continua sendo a medida mais crítica. O uso de repelentes e mosquiteiros também oferece uma camada de proteção pessoal, especialmente em áreas de maior risco. Cada cidadão tem um papel essencial ao adotar essas medidas simples, mas poderosas, no seu próprio lar e comunidade.

Além do controle vetorial, a vacinação surge como uma ferramenta complementar e cada vez mais importante. Embora o desenvolvimento de vacinas contra a dengue seja complexo e tenha apresentado diferentes especificidades ao longo do tempo – como no caso da CYD, da TAK-003 e da vacina do Butantã, cada uma com suas particularidades de uso e status atual –, a pesquisa e a oferta de imunizantes são cruciais para proteger os mais suscetíveis. As vacinas visam reduzir as formas graves da doença e o número de internações, diminuindo a pressão sobre os serviços de saúde durante as epidemias.

É fundamental que a população compreenda que a vacinação contra a dengue não substitui as ações de controle do mosquito. Ambas as frentes devem ser trabalhadas simultaneamente para garantir uma proteção eficaz. A educação em saúde, orientada por profissionais, desempenha um papel chave para que as pessoas entendam como se proteger e contribuir para a prevenção da doença em larga escala.

Herpes Zóster: Prevenção de uma Dor Que Pode Durar a Vida Toda

O herpes zóster, popularmente conhecido como cobreiro, é uma condição dolorosa causada pela reativação do vírus da catapora (varicela-zóster) que permanece latente no organismo após a infecção inicial. O infectologista Flávio Augusto de Pádua Milagres explicou que diversos fatores de risco podem levar a essa reativação, incluindo idade avançada (acima de 50 anos), doenças crônicas, condições que comprometem o sistema imunológico e até mesmo estresse físico e emocional intenso.

A doença se manifesta com lesões cutâneas vesiculares, acompanhadas de dor intensa, que pode persistir por semanas ou meses. Uma das complicações mais temidas é a neuralgia pós-herpética, uma dor crônica e debilitante que pode afetar a qualidade de vida do paciente por anos, ou até mesmo permanentemente. Esse impacto prolongado na saúde e bem-estar torna a prevenção ainda mais urgente e relevante para quem busca manter uma vida ativa e sem dor.

Diante desse cenário, a vacinação se apresenta como a melhor estratégia preventiva contra o herpes zóster e suas complicações, especialmente a neuralgia pós-herpética. Embora, por enquanto, a vacina esteja majoritariamente disponível na rede privada, há projetos em discussão no Congresso Nacional para sua inclusão no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Essa inclusão tornaria o imunizante acessível a um número muito maior de pessoas, protegendo-as de uma doença que é não apenas dolorosa, mas também de alto custo social e econômico devido aos tratamentos e à perda de produtividade.

As discussões no IV Fórum de Infectologia reforçam a necessidade de um olhar abrangente sobre a saúde pública. Desde a superação da hesitação vacinal até o controle de vetores e a prevenção de doenças específicas como dengue e herpes zóster, a informação clara, a atuação profissional e o engajamento de cada indivíduo são pilares para construirmos uma sociedade mais saudável e protegida.

O Renova Receita está comprometido em trazer informações confiáveis e atualizadas para o seu dia a dia. Continue nos acompanhando para acessar conteúdos variados e aprofundados sobre saúde, bem-estar e muitos outros temas que fazem a diferença na sua vida.

Fonte: https://portal.cfm.org.br