O Conselho Federal de Medicina (CFM) promoveu o I Fórum de Nefrologia, um evento crucial para a saúde pública brasileira, focado em discussões aprofundadas sobre o acesso à diálise e a integração do cuidado para pacientes com doenças renais. Realizado recentemente, o fórum reuniu especialistas, representantes do Ministério da Saúde e de entidades da área, colocando em pauta temas vitais como a atenção primária, o diagnóstico precoce e o financiamento da assistência. O objetivo central foi desmistificar a complexidade da doença renal crônica e buscar soluções práticas para os desafios enfrentados por milhares de brasileiros.

A doença renal crônica (DRC) é uma condição silenciosa que afeta uma parcela significativa da população. Muitas vezes, os sintomas surgem apenas em estágios avançados, quando as opções de tratamento se tornam mais limitadas e complexas. É nesse cenário que o acesso à diálise – uma terapia vital para filtrar o sangue quando os rins falham – e a garantia de um cuidado integrado se tornam imperativos. O fórum do CFM surgiu da necessidade de abordar essas questões de forma abrangente, promovendo um diálogo entre os diversos atores envolvidos na saúde renal para melhorar a realidade dos pacientes.

Abertura do Fórum: Desafios e Necessidades Urgentes

A abertura do I Fórum de Nefrologia, sob o tema “O cenário atual da diálise no Brasil”, sublinhou a urgência de fortalecer a atenção à saúde renal. José Elêrton Secioso de Aboim, coordenador da Câmara Técnica de Nefrologia do CFM, destacou a importância de equipes qualificadas e de condições que permitam aos pacientes conciliar o tratamento com a vida pessoal, familiar, profissional e social. Essa perspectiva humanizada reconhece que a doença renal não afeta apenas o corpo, mas toda a rotina do indivíduo, exigindo um suporte que vá além da intervenção médica.

Os debates iniciais abordaram a persistência de dificuldades cotidianas, como as longas filas de espera por vagas de diálise em algumas regiões e os gastos substanciais com um tratamento que, pela sua natureza, não pode ser interrompido. Esses pontos ressaltam a necessidade de um planejamento de saúde mais robusto e equitativo, que considere tanto as realidades regionais quanto a crescente demanda por terapias renais substitutivas. A proposta é que as discussões sobre o financiamento da terapia renal levem em conta os custos reais da assistência, visando uma distribuição de recursos mais eficiente.

Atenção Primária como Pilar Fundamental

Um dos pontos mais enfáticos do fórum foi a defesa do fortalecimento da atenção primária. José Andrade Moura Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e membro da Câmara Técnica de Nefrologia do CFM, enfatizou a necessidade de que a saúde renal faça parte da rotina dos profissionais que atuam na ponta do sistema de saúde. Em outras palavras, o conhecimento sobre a doença renal crônica e a capacidade de identificá-la precocemente precisam chegar aos médicos e enfermeiros que têm o primeiro contato com a população. Essa medida é crucial para evitar que a doença avance para estágios mais severos, onde o tratamento se torna mais complexo e oneroso.

A atenção primária bem estruturada pode desempenhar um papel preventivo significativo, auxiliando no diagnóstico precoce de condições que podem levar à DRC, como diabetes e hipertensão, e no manejo inicial da própria doença renal. Ao identificar os pacientes em fases iniciais, é possível implementar intervenções que retardem a progressão da doença, melhorem a qualidade de vida e reduzam a necessidade de terapias mais invasivas, como a diálise e o transplante, em um futuro próximo. É um investimento que gera economia de recursos e, principalmente, preserva vidas.

Vivendo Bem com a Doença Renal Crônica: Cuidado Integral e Qualidade de Vida

A primeira mesa de debates, intitulada “Vivendo bem com a Doença Renal Crônica: Cuidados Médicos Necessários”, trouxe à tona a importância da qualidade de vida para os pacientes. Alexandre Silvestre Cabral, membro da Câmara Técnica de Nefrologia do CFM, ressaltou que viver bem vai além da sobrevivência, englobando o bem-estar físico e mental. Para isso, os pacientes necessitam de acompanhamento contínuo de doenças de base, acesso a assistência farmacêutica de qualidade e disponibilidade de terapias especializadas.

A fragmentação do cuidado, caracterizada pela distribuição desigual de recursos, serviços e especialistas em diferentes regiões do país, foi apontada como um dos maiores obstáculos para essa assistência integral. Os palestrantes discutiram as diversas modalidades de cuidado, que vão do tratamento conservador e paliativo à hemodiálise, hemodiafiltração, diálise peritoneal e o transplante renal. A carência de vagas para terapia renal substitutiva em algumas regiões foi mais uma vez destacada, com a projeção de que a ampliação da oferta pode gerar um impacto positivo direto e significativo na qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.

Organização da Rede de Saúde e Necessidade de Integração

Para superar a fragmentação, Cabral defendeu a criação de linhas de cuidado baseadas em evidências, com responsabilidades claramente definidas para cada nível de atenção à saúde – da básica à especializada – e uma previsão orçamentária adequada. Essa organização visa garantir que o paciente seja acolhido e acompanhado em todas as etapas de sua jornada de tratamento, sem interrupções ou lacunas no cuidado. O objetivo é criar um sistema coeso que funcione em benefício do paciente, otimizando recursos e resultados.

A presença de representantes do Ministério da Saúde nos debates, incluindo o diretor Arthur Lobato Barreto Mello e as assessoras Vanessa Santos e Camila Simões, reforçou o compromisso com a organização dos serviços de saúde em torno das necessidades individuais de cada pessoa. Essa abordagem centrada no paciente é fundamental para a construção de um sistema de saúde mais eficaz e humano, que verdadeiramente atenda às expectativas e exigências de quem precisa de cuidado contínuo. A doença renal crônica, como sintetizado no fórum, serve como um sintoma de que a atenção básica necessita de melhorias urgentes e estratégicas.

As discussões do I Fórum de Nefrologia do CFM evidenciam a complexidade e a urgência de aprimorar a assistência aos pacientes renais no Brasil. O evento reforça a importância de um olhar integrado sobre a doença, que contemple o diagnóstico precoce, a atenção primária fortalecida, o acesso garantido a todas as modalidades de tratamento e um financiamento que reflita os custos reais e a demanda crescente. Tais iniciativas são passos fundamentais para que a saúde renal receba a atenção e os recursos necessários, transformando a realidade de milhares de famílias e garantindo um futuro com mais qualidade de vida para todos. Para continuar recebendo informações relevantes e práticas sobre saúde e bem-estar, acompanhe o Renova Receita, seu portal de conteúdo confiável e atualizado.

Fonte: https://portal.cfm.org.br