A Febre do Nilo Ocidental, embora não seja uma doença comum no Brasil, tem ganhado destaque após a confirmação de casos e até um óbito no país. Essa infecção viral aguda, conhecida na África há pelo menos 90 anos, despertou a atenção das autoridades de saúde, mas especialistas reforçam que a população não precisa entrar em pânico. Segundo o médico infectologista Dr. Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a maioria absoluta dos quadros clínicos é leve, com menos de 1% evoluindo para a forma grave.

Apesar dos registros recentes, a compreensão sobre a doença, suas formas de transmissão e as medidas de prevenção é fundamental para um controle eficaz e para tranquilizar a população. O que se sabe é que a vigilância e o mapeamento dos casos são importantes, especialmente no que tange à saúde das aves e à presença do mosquito vetor.

O que é a Febre do Nilo Ocidental?

A Febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada por um arbovírus, um grupo de vírus transmitidos por artrópodes, como mosquitos. Esse mesmo grupo inclui os agentes responsáveis por doenças já bem conhecidas no Brasil, como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, o que as torna 'primas' em termos de tipo de vírus e vetor. A doença foi identificada pela primeira vez em Uganda, na África, em 1937, e desde então se espalhou por diversas regiões do mundo.

A transmissão do vírus ocorre principalmente pela picada do mosquito do gênero <i>Culex</i>, popularmente conhecido como pernilongo ou muriçoca. O mosquito adquire o vírus ao se alimentar de aves infectadas, que são os reservatórios naturais da doença. Ao picar um ser humano após ter picado uma ave contaminada, o mosquito pode transmitir a infecção. É crucial entender que os seres humanos são considerados 'hospedeiros acidentais' e, portanto, não transmitem o vírus diretamente para outras pessoas.

Sintomas e Manifestações Clínicas

Uma característica importante da Febre do Nilo Ocidental é que a infecção pode não provocar sintomas. Estima-se que cerca de 80% das pessoas infectadas sequer desenvolvem manifestações clínicas, passando pela doença de forma assintomática, sem perceber que foram expostas ao vírus. Nesses casos, a recuperação ocorre espontaneamente e sem complicações.

Para as cerca de 20% das pessoas que desenvolvem sintomas, a maioria dos quadros é branda e se assemelha a uma gripe comum. Os sintomas incluem febre, mal-estar, falta de apetite, náuseas, vômitos, dor de cabeça e dor muscular. Podem surgir também dor nos olhos, manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos. Esses sintomas geralmente desaparecem em poucos dias ou semanas e não deixam sequelas.

Em uma pequena parcela dos casos, menos de 1% dos infectados, a doença pode evoluir para formas mais graves, que afetam o sistema nervoso central. Nesses quadros neuroinvasivos, a pessoa pode desenvolver encefalite (inflamação do cérebro), meningite (inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal) ou paralisia flácida. Sintomas como confusão mental, rebaixamento do nível de consciência, tremores e convulsões indicam a necessidade de avaliação médica imediata e, muitas vezes, hospitalização.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico da Febre do Nilo Ocidental é feito por meio de uma combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. O médico considerará os sintomas apresentados pelo paciente e o histórico de exposição a áreas onde o mosquito vetor ou aves infectadas foram identificados. Os exames de sangue podem detectar a presença do vírus ou anticorpos específicos produzidos pelo organismo em resposta à infecção.

Diferente de algumas outras doenças virais, não existe uma vacina disponível para humanos nem um tratamento antiviral específico para a Febre do Nilo Ocidental. O controle do quadro clínico é direcionado ao alívio dos sintomas. Isso significa que o tratamento consiste em repouso, hidratação adequada e acompanhamento médico para gerenciar a febre e as dores, conforme a necessidade de cada paciente.

Nos casos mais graves, que exigem hospitalização, o suporte pode incluir atendimento em unidade de terapia intensiva (UTI), reposição de líquidos por via intravenosa, suporte respiratório e medidas para prevenir e tratar complicações neurológicas. O Dr. Furtado da Costa explica que, devido ao número relativamente pequeno de casos da doença em escala global, a pesquisa para uma vacina não tem a mesma prioridade que a de arboviroses com maior incidência, como a dengue e a zika.

A Febre do Nilo Ocidental no Cenário Brasileiro

Recentemente, a Febre do Nilo Ocidental ganhou mais visibilidade no Brasil com a confirmação de casos humanos. Em São Paulo, por exemplo, o estado registrou pela primeira vez casos em humanos, com uma mulher de 34 anos de Ribeirão Preto e uma adolescente de 18 anos de São José do Rio Preto testando positivo. A mulher já se curou, enquanto a adolescente segue internada. Além disso, o Ministério da Saúde confirmou dois casos em Santa Catarina, um deles com desfecho fatal, e há um caso provável no Piauí.

Diante desses registros, as equipes de vigilância epidemiológica e sanitária atuam intensamente. A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE-SP), Tatiana Lang D’Agostini, destacou a importância de investigar os casos para identificar o local provável de infecção e orientar as medidas preventivas. Essa vigilância não se limita aos seres humanos; também inclui o monitoramento de aves e locais com mortalidade de aves fora do normal, pois são indicadores importantes da circulação do vírus no ambiente.

Apesar da relevância da vigilância, os especialistas reforçam a mensagem de que não há motivo para pânico. A Febre do Nilo Ocidental, mesmo presente, mantém uma baixa incidência de casos graves, e a adoção de medidas preventivas simples pode reduzir significativamente o risco de transmissão. O foco deve ser na informação e na prevenção, e não no alarme desnecessário.

Medidas de Prevenção: Protegendo-se do Mosquito

Como não há vacina nem tratamento específico, a melhor forma de se proteger da Febre do Nilo Ocidental é através da prevenção da picada do mosquito <i>Culex</i>. As estratégias são bastante semelhantes às utilizadas para combater a dengue, zika e chikungunya, visando controlar a população de mosquitos e minimizar o contato humano com o vetor.

É fundamental eliminar focos de água parada, que servem como criadouros para os mosquitos, em vasos de plantas, pneus, calhas e recipientes diversos. O uso de repelentes, principalmente em áreas com maior presença de mosquitos ou durante atividades ao ar livre, é uma barreira eficaz. Instalar telas em janelas e portas e utilizar roupas que cubram a maior parte do corpo, especialmente ao anoitecer, também são medidas simples e importantes para evitar as picadas e, consequentemente, a infecção.

A Febre do Nilo Ocidental é um lembrete da constante necessidade de vigilância em saúde pública. Embora a maioria dos casos seja leve e sem grandes complicações, a presença da doença no Brasil exige atenção e medidas preventivas. Manter-se informado sobre as formas de transmissão, sintomas e, principalmente, sobre as ações para evitar a picada do mosquito é a melhor maneira de se proteger. Para ter acesso a conteúdos variados e informações confiáveis que contribuem para o seu bem-estar diário, continue acompanhando o Renova Receita.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br