A saúde das veias e a preocupação com varizes e vasinhos são temas que afetam milhões de brasileiros, impactando tanto a estética quanto a qualidade de vida. Neste cenário, a escleroterapia surge como um tratamento comum e eficaz para essas condições. No entanto, o Conselho Federal de Medicina (CFM), órgão máximo que regulamenta a prática médica no país, emitiu um novo parecer reforçando uma orientação crucial: a escleroterapia é um procedimento invasivo e, como tal, deve ser realizada exclusivamente por médicos. Esta decisão visa garantir a segurança dos pacientes e a qualidade dos tratamentos oferecidos.

A manifestação do CFM, contida no Parecer nº 9/2026, é um alerta importante diante do crescente número de profissionais não-médicos que têm oferecido a escleroterapia. O Conselho analisou dúvidas sobre a natureza deste procedimento, sua caracterização como intervenção cirúrgica e os aspectos que envolvem sua execução. A conclusão é inequívoca: mesmo não sendo uma cirurgia nos moldes tradicionais, a escleroterapia envolve riscos significativos e exige conhecimento anatômico e fisiológico profundo, além de capacidade para gerenciar possíveis complicações durante e após o procedimento.

O que é a escleroterapia e como ela funciona?

Conhecida popularmente como "aplicação de vasinhos", a escleroterapia é uma técnica que consiste na injeção de substâncias esclerosantes diretamente em veias dilatadas ou varicosas. Essas substâncias provocam uma irritação controlada na parede interna do vaso, levando a um processo inflamatório que culmina no seu "fechamento" e, eventualmente, na sua reabsorção pelo organismo. O objetivo é eliminar a veia doente, melhorando a circulação sanguínea local e aliviando os sintomas ou o desconforto estético.

Este tratamento é amplamente utilizado por duas razões principais: estética e terapêutica. Do ponto de vista estético, ele busca eliminar os pequenos vasinhos (telangiectasias) e varizes de menor calibre, que, embora não causem dor, podem ser motivo de desconforto visual e impactar a autoestima. Terapeuticamente, a escleroterapia é fundamental para tratar casos de insuficiência venosa crônica, uma condição na qual as válvulas das veias não funcionam corretamente, impedindo o retorno adequado do sangue ao coração. Essa insuficiência pode causar dor, sensação de peso nas pernas, inchaço, coceira e, em casos mais avançados, levar a alterações na pele e até úlceras de difícil cicatrização, que afetam diretamente o cotidiano e a mobilidade do paciente.

A importância do ato médico na escleroterapia

O Conselho Federal de Medicina tem a responsabilidade de zelar pela ética e pela boa prática da medicina no Brasil, estabelecendo diretrizes que protegem tanto os profissionais quanto a população. Ao emitir este parecer, o CFM não apenas orienta os médicos, mas também reforça a segurança pública. O relator do parecer, conselheiro Antonio Carlos Sanches, esclareceu que, embora a escleroterapia possa não ser vista como uma cirurgia clássica, sua natureza invasiva é inegável. Intervenções diretas nos tecidos, que manipulam estruturas anatômicas e podem exigir controle da dor, são caracterizadas como atos médicos. A complexidade do sistema venoso, a variedade de condições vasculares e a individualidade de cada paciente exigem um diagnóstico preciso e um plano de tratamento personalizado, tarefas que recaem sobre a formação e a experiência médica.

Riscos e complicações que demandam expertise médica

A realização da escleroterapia exige um profundo conhecimento da anatomia vascular, da fisiologia do corpo humano e da farmacologia das substâncias utilizadas. Quando feita por profissionais sem a qualificação adequada ou em ambientes impróprios, os riscos de complicações aumentam consideravelmente, transformando um procedimento relativamente simples em um grave problema de saúde. Entre os possíveis desdobramentos negativos, o CFM destaca:

Além desses pontos, é importante considerar que intercorrências como reações alérgicas graves (choque anafilático), lesões nervosas ou até mesmo acidentes vasculares (como embolia pulmonar, embora raro) são possibilidades que, se não gerenciadas por um médico treinado para emergências, podem ter consequências fatais. Esses riscos reforçam a necessidade inquestionável de que o procedimento seja executado por um médico habilitado, preferencialmente um especialista em cirurgia vascular, em um ambiente clínico adequado e com os recursos necessários para o manejo de qualquer complicação. A avaliação prévia, a escolha da substância esclerosante e da concentração correta, a técnica de aplicação e o manejo das intercorrências são atos que dependem de formação médica especializada e experiência clínica.

A escolha do tratamento e a individualidade do paciente

É crucial entender que não existe uma "receita de bolo" para a escleroterapia. O CFM ressalta que há diferentes modalidades do procedimento, como a escleroterapia química (líquida ou com espuma), a escleroterapia a laser e outras técnicas que podem ser combinadas. A decisão sobre qual abordagem empregar depende de uma avaliação clínica individualizada, que leva em conta o tipo e o calibre das veias, a extensão da doença, o histórico de saúde do paciente, suas condições preexistentes e suas expectativas. Um médico qualificado é capaz de realizar essa análise complexa, indicando o tratamento mais seguro e eficaz, e discutindo todas as opções com o paciente de forma transparente. Ignorar essa etapa crucial pode levar a resultados insatisfatórios ou, pior, a danos à saúde.

Os impactos práticos no cotidiano e a conscientização

A proliferação de clínicas e centros de estética que oferecem a escleroterapia com profissionais sem formação médica tem gerado uma preocupante realidade de tratamentos inadequados e complicações para a população. Para o paciente, as consequências vão muito além da insatisfação estética, podendo resultar em problemas de saúde duradouros, necessidade de tratamentos corretivos caros e, em casos mais graves, sequelas irreversíveis que afetam diretamente a qualidade de vida e a funcionalidade. A conscientização sobre a importância de buscar um médico para a escleroterapia não é apenas uma questão legal ou burocrática, mas de saúde pública e bem-estar individual. Escolher um profissional habilitado significa investir na própria saúde e evitar riscos desnecessários, garantindo um tratamento eficaz e seguro que trará benefícios reais para o dia a dia.

Em suma, o posicionamento do Conselho Federal de Medicina sobre a escleroterapia reforça que este é um procedimento de saúde que vai muito além da estética, exigindo responsabilidade, conhecimento técnico e capacidade de manejo de riscos. Trata-se de uma intervenção invasiva que deve ser conduzida exclusivamente por médicos, garantindo que o paciente receba um tratamento seguro, baseado em evidências e adaptado às suas necessidades específicas. A orientação do CFM é um pilar fundamental para a proteção da saúde da população brasileira.

Para continuar se informando sobre saúde, bem-estar e as últimas novidades que impactam seu dia a dia, acompanhe o Renova Receita. Nosso portal oferece uma variedade de conteúdos atualizados, confiáveis e de qualidade para que você faça sempre as melhores escolhas para a sua saúde e qualidade de vida.

Fonte: https://portal.cfm.org.br