Maceió (AL) foi o palco de um dos mais significativos encontros da saúde brasileira recentemente, sediando o 2º Congresso Brasileiro de Enfermagem de Família e Comunidade e o 2º Congresso Alagoano de Medicina de Família e Comunidade. Realizados entre 29 de abril e 2 de maio, os eventos atraíram mais de 1.200 congressistas, entre enfermeiros(as) e médicos(as) dedicados à Atenção Primária à Saúde (APS), evidenciando a crescente relevância e o interesse nesses campos profissionais. A alta demanda foi um dos destaques, com todas as inscrições esgotadas antes mesmo do início da programação, reforçando a importância do debate e da atualização para esses especialistas.
A Força da Atenção Primária em Debate
A Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada e o pilar fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Ela é responsável por oferecer cuidados contínuos e integrais à população, abordando a saúde de forma preventiva, curativa e de promoção do bem-estar, dentro da comunidade e do contexto familiar. Nesse cenário, enfermeiros(as) e médicos(as) de família e comunidade desempenham um papel insubstituível, atuando na linha de frente para garantir o acesso da população aos serviços de saúde e promovendo a qualidade de vida. Encontros como esses congressos são essenciais para fortalecer a prática desses profissionais e discutir os rumos da APS no país.
A realização conjunta de um congresso brasileiro e um regional, promovidos pela Associação Brasileira de Enfermagem de Família e Comunidade (Abefaco) e pela Associação Alagoana de Medicina de Família e Comunidade (AAMFC), sublinhou a necessidade de uma abordagem integrada entre diferentes especialidades. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) participou ativamente como entidade parceira, com um estande institucional e a contribuição de membros de sua diretoria na programação científica. Essa colaboração entre associações reflete a busca por uma atuação multiprofissional, que é a essência de uma atenção primária eficaz e resolutiva.
Diálogo Interprofissional e Inovação na Saúde
A programação científica dos congressos foi vasta e abrangente, abordando temas cruciais para o aprimoramento da APS no Brasil. A presença de diferentes vozes e perspectivas, tanto de profissionais da prática quanto de gestores e formuladores de políticas, permitiu um diálogo rico e multifacetado sobre os desafios e as oportunidades do setor. Fabiano Guimarães, presidente da SBMFC, enfatizou a importância da parceria entre as entidades: “Agradecemos à Abefaco por receber a Medicina de Família e Comunidade em um evento tão grandioso e significativo. Seguiremos fortalecendo essa parceria, realizando eventos conjuntos e defendendo o que é melhor para o sistema de saúde. Não existe sistema de saúde forte sem uma Atenção Primária forte, e não existe APS forte sem enfermeiros(as) e médicos(as) de família e comunidade”.
Modelos de Atenção à Saúde: Lições do Brasil e do Mundo
Uma das conferências de destaque discutiu os “Modelos de Atenção Primária à Saúde em Sistemas Universais: Brasil e Inglaterra”, contando com a participação de Paul Vaughan, do NHS Inglaterra, Arthur Fernandes (SAPS/MS), Jéssica Bellini (Ribeirão Preto SP) e Fabiano Guimarães (SBMFC). A comparação entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Serviço Nacional de Saúde (NHS) da Inglaterra é sempre relevante, pois ambos são sistemas universais que enfrentam desafios semelhantes de acesso, financiamento e gestão. Discutir diferentes abordagens permite identificar boas práticas e caminhos inovadores para fortalecer a APS brasileira, adaptando experiências internacionais à realidade do nosso país.
A Importância da Formação e da Residência
A formação profissional foi outro pilar do debate, com a conferência “Formação em serviço na APS: a potência dos programas de residência”. Ricardo Ceccim (Rede Unida), Lucelia Santos (ENSP Fiocruz) e Andrea Taborda (SBMFC) exploraram como os programas de residência médica e multiprofissional são fundamentais para capacitar enfermeiros(as) e médicos(as) com a experiência prática necessária para atuar de forma eficaz na APS. Esses programas não apenas qualificam os profissionais, mas também contribuem para fixá-los em regiões que mais necessitam, garantindo um atendimento de qualidade à população.
Desafios e Futuro da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB)
A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) é o documento que orienta as ações da APS no Brasil. A conferência “Entre avanços e retrocessos: por que precisamos de uma PNAB?” contou com a presença de José Eudes Barroso (SAPS/MS), Carolina Lobato (ESF Distrito Federal) e Ricardo Heinzelmann (SBMFC UFSM). O debate sobre a PNAB é vital, pois ela define as diretrizes para a organização dos serviços, o financiamento e a atuação das equipes. Compreender os avanços conquistados e os retrocessos enfrentados é crucial para defender uma política pública robusta e que continue a garantir o direito à saúde para todos os brasileiros.
Valorização Profissional e Gestão do Trabalho no SUS
Um tema de grande impacto para os profissionais e para a sustentabilidade do SUS foi “Provimento, fixação e valorização dos profissionais da APS: desafios para a gestão do trabalho no SUS”. Felipe Proenço (SGTES/MS), Bruno Guimarães (FESF BA), Caroline Duarte (AgSUS) e Andrea Taborda (SBMFC) discutiram a complexidade de atrair e manter enfermeiros(as) e médicos(as) de família e comunidade em diversas regiões do país, especialmente nas mais remotas e vulneráveis. A valorização profissional, que passa por remuneração justa, condições de trabalho adequadas e plano de carreira, é essencial para garantir que a população tenha acesso a equipes qualificadas e motivadas.
Reconhecimento e Perspectivas Futuras
Além das conferências, os congressos promoveram o Prêmio APS, uma iniciativa do Congresso Brasileiro de Enfermagem de Família e Comunidade que visa reconhecer e dar visibilidade a experiências inovadoras na Atenção Primária à Saúde. Ricardo Heinzelmann, da SBMFC, integrou o júri, destacando a importância de incentivar projetos que tragam soluções criativas e eficazes para os desafios do dia a dia na APS. O reconhecimento de boas práticas é um estímulo fundamental para a melhoria contínua dos serviços de saúde oferecidos à população.
Renata Barros, presidente da Abefaco, reiterou a satisfação com a colaboração: “Agradecemos à SBMFC pela parceria. Este foi nosso primeiro evento conjunto para evidenciar a potência da Enfermagem de Família e Comunidade ao lado da Medicina de Família e Comunidade, algo que sonhávamos há muito tempo. Seguimos juntos, já que essa integração faz parte do nosso cotidiano de trabalho. Nos vemos no próximo congresso, que será em setembro de 2028, em Porto Alegre”. A perspectiva de novos encontros e a continuidade da parceria entre as associações reforçam o compromisso com o avanço da APS e a defesa de um sistema de saúde cada vez mais forte e equitativo.
Os congressos representaram um marco para a Enfermagem e Medicina de Família e Comunidade, consolidando um espaço vital para a troca de conhecimentos, o fortalecimento das redes profissionais e a discussão de políticas públicas essenciais. A união de esforços e a dedicação em buscar soluções para os desafios da Atenção Primária são passos importantes para garantir um futuro mais saudável para todos os brasileiros. Para continuar acompanhando informações relevantes, práticas e atualizadas sobre saúde, bem-estar e o dia a dia, acesse regularmente o Renova Receita, seu portal de conteúdo confiável.
Fonte: https://sbmfc.org.br
