Os transtornos alimentares (CID F50) reúnem condições psiquiátricas graves marcadas por alterações persistentes do comportamento alimentar, com prejuízo à saúde física e ao funcionamento psicossocial. Estão entre os transtornos mentais com maior mortalidade.
F50 é o código da CID-10 para Transtornos Alimentares, Anorexia e Bulimia.
Anorexia nervosa
Caracteriza-se por restrição da ingestão que leva a peso significativamente baixo, medo intenso de ganhar peso e distorção da imagem corporal, com influência desproporcional do peso na autoavaliação. Pode ser do tipo restritivo ou com episódios de compulsão e purgação.
As repercussões clínicas são amplas: amenorreia, bradicardia, hipotensão, hipotermia, osteoporose, alterações eletrolíticas, lanugo e alterações hematológicas.
Bulimia nervosa
Envolve episódios recorrentes de compulsão alimentar (ingestão de grande quantidade em curto período, com sensação de perda de controle) seguidos de comportamentos compensatórios: vômitos autoinduzidos, laxantes, diuréticos, jejum ou exercício excessivo. O peso costuma ser normal ou elevado, o que dificulta a identificação.
Sinais físicos incluem erosão do esmalte dentário, aumento de parótidas, calosidade no dorso da mão (sinal de Russell) e distúrbios eletrolíticos, sobretudo hipocalemia.
Transtorno de compulsão alimentar
Episódios de compulsão sem comportamentos compensatórios regulares, acompanhados de sofrimento intenso, culpa e vergonha. É o transtorno alimentar mais prevalente e frequentemente associado à obesidade.
Como é feito o diagnóstico
É clínico. Instrumentos como o SCOFF e o EAT-26 auxiliam no rastreio. A avaliação laboratorial e cardiológica é indispensável para estratificar gravidade, eletrólitos, função renal, hemograma, eletrocardiograma e densitometria conforme o caso.
Tratamento
O cuidado é necessariamente multiprofissional: psiquiatria, psicologia, nutrição e clínica médica. A psicoterapia é o eixo, terapia cognitivo-comportamental aprimorada, terapia familiar (com forte evidência em adolescentes com anorexia) e terapia interpessoal.
Entre as opções farmacológicas, a fluoxetina em doses mais altas tem indicação estudada na bulimia, e a lisdexanfetamina no transtorno de compulsão alimentar. Na anorexia, a medicação tem papel adjuvante.
A renutrição exige cautela pelo risco de síndrome de realimentação, e casos graves demandam internação.
Sinais de gravidade
Perda de peso rápida, bradicardia acentuada, hipotensão, síncope, alterações eletrolíticas, vômitos incoercíveis ou ideação suicida exigem avaliação urgente.
Se você está passando por sofrimento psíquico, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Perguntas frequentes sobre o CID F50
O que significa o CID F50?
F50 é o código da CID-10 para Transtornos Alimentares, Anorexia e Bulimia.
Qual é o CID de Transtornos Alimentares, Anorexia e Bulimia?
É o F50. Esse é o código usado para registrar essa condição em atestados, pedidos de exame e prescrições.
O CID F50 no atestado dá direito a afastamento?
O código sozinho não determina afastamento. Quem define a necessidade e a duração é o médico, a partir da avaliação clínica do caso. O CID apenas identifica a condição registrada.
Acompanhamento médico
O diagnóstico e o tratamento desta condição são atos médicos. A definição da conduta, a escolha do medicamento, o ajuste de doses e a periodicidade do acompanhamento dependem de avaliação clínica individual, realizada por médico com registro ativo no Conselho Regional de Medicina, considerando o histórico, os exames e as particularidades de cada pessoa.
