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Conselho Federal de Medicina debate cirurgia bariátrica e tratamento da obesidade no SUS

O Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou recentemente o I Fórum de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, um evento crucial com foco no tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa reuniu um time de especialistas, representantes do Ministério da Saúde e membros da Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica e Metabólica do CFM para um diálogo aprofundado sobre os desafios assistenciais, as políticas públicas e os modelos de organização do cuidado que são essenciais para lidar com essa condição de saúde cada vez mais prevalente no Brasil.

O encontro sinaliza um reconhecimento da complexidade da obesidade e da necessidade de abordagens integradas e eficazes dentro do sistema público de saúde. O evento não só expôs as lacunas existentes, mas também apontou caminhos e estratégias para aprimorar o atendimento aos pacientes, desde a atenção primária até os procedimentos cirúrgicos de alta complexidade.

A Obesidade: Uma Doença Complexa e Suas Implicações

Uma das discussões centrais do fórum girou em torno da fisiopatologia da obesidade, um tema que desmistifica a visão simplista de que a condição é apenas resultado de maus hábitos alimentares. O médico Orlando Pereira Faria, membro da Câmara Técnica do CFM, destacou a intrincada relação entre a doença e o comportamento alimentar. Segundo ele, “comer demais não causa obesidade; é a obesidade que causa comer demais. Comer menos não trata a obesidade; tratar a obesidade leva a comer menos”. Essa perspectiva inovadora ressalta que a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, influenciada por fatores genéticos, metabólicos, hormonais, psicológicos e ambientais, e que seu controle de longo prazo exige uma compreensão mais profunda e abordagens terapêuticas que vão além da simples restrição calórica.

O reconhecimento da obesidade como uma doença em si, e não apenas um fator de risco para outras enfermidades, foi outra pauta importante. O médico Ricardo Vitor Cohen, também membro da Câmara Técnica, enfatizou que “obesidade é uma doença por si só. Não é preciso esperar outra enfermidade para caracterizá-la como tal. Ela é uma doença quando causa dano ao organismo”. Essa mudança de paradigma é fundamental para que o SUS possa oferecer um tratamento adequado e precoce, evitando a progressão para complicações graves como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, problemas articulares e certos tipos de câncer, que sobrecarregam ainda mais o sistema de saúde.

Desafios de Acesso e o Combate ao Estigma

Apesar dos avanços no entendimento e nas opções de tratamento, o acesso à cirurgia bariátrica e metabólica no SUS ainda enfrenta desafios significativos. A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Kelly Poliany de Souza Alves, apresentou a linha de cuidado da obesidade no SUS e suas prioridades, mas também chamou a atenção para o estigma do peso e a gordofobia no atendimento em saúde. Essa realidade impacta diretamente a busca por ajuda e a adesão ao tratamento.

O uso da expressão “pessoa com obesidade”, em vez de termos pejorativos, foi exemplificado como um consenso mundial para evitar o reforço de estigmas e abordagens culpabilizadoras. Essa prática visa promover um ambiente de cuidado mais acolhedor e respeitoso, onde o paciente se sinta à vontade para buscar e seguir o tratamento necessário, o que é um passo fundamental para o sucesso terapêutico.

A Atenção Primária à Saúde como Porta de Entrada

A Atenção Primária à Saúde (APS) foi um dos pilares de discussão sobre o tratamento da obesidade. Kelly Alves abordou estratégias de prevenção e políticas públicas relacionadas ao ambiente alimentar, destacando a importância de ações que promovam hábitos saudáveis desde cedo e que considerem o contexto social e econômico da população. O médico Gustavo Peixoto Soares Miguel apresentou o papel vital da APS no diagnóstico precoce, na estratificação de risco e nos critérios de encaminhamento para níveis especializados de atendimento.

Já Flávio Kreimer discutiu o tratamento clínico estruturado na atenção primária, que inclui não apenas a mudança de estilo de vida e a farmacoterapia quando indicada, mas também a coordenação do cuidado como um eixo central para o acompanhamento longitudinal do paciente. A APS, por ser o primeiro contato do cidadão com o sistema de saúde, tem o potencial de identificar a obesidade em fases iniciais, oferecer orientações e suporte contínuos, e realizar o manejo de casos menos complexos, atuando como um filtro e otimizando o fluxo para os níveis de cuidado mais especializados.

Centros de Tratamento da Obesidade e a Custo-Efetividade

A implantação e o funcionamento dos Centros de Tratamento da Obesidade (CTO) no SUS foram detalhados por Juliano Blanco Canavarros, que enfatizou a necessidade de uma estrutura mínima, a atuação de uma equipe multiprofissional (médicos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas) e a definição de fluxos assistenciais bem organizados. A qualidade do tratamento depende diretamente de um atendimento integrado e especializado.

Luiz Vicente Berti, diretor executivo da Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e Transtornos Metabólicos (Capítulo América Latina e Caribe), reforçou essa ideia ao afirmar que “CTO sem equipamento completo não é centro de tratamento, é fragmentação”. Sua fala sublinha a importância de um investimento adequado em infraestrutura e recursos humanos para que esses centros possam oferecer um cuidado completo e de alta qualidade, essencial para o sucesso dos procedimentos bariátricos e metabólicos.

Berti também abordou a custo-efetividade da cirurgia bariátrica, apresentando evidências econômicas que demonstram o impacto positivo na redução de comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e apneia obstrutiva do sono. A cirurgia, embora represente um investimento inicial, resulta em significativa economia a longo prazo para o sistema de saúde, ao diminuir a necessidade de tratamentos contínuos para as doenças associadas à obesidade. Além disso, ele defendeu a implementação de uma fila única como estratégia de equidade no acesso, visando garantir justiça, reduzir a judicialização de tratamentos e fortalecer a confiança institucional no SUS.

O I Fórum de Cirurgia Bariátrica e Metabólica do CFM destacou que o tratamento da obesidade no SUS exige uma abordagem multifacetada, que vai da compreensão da doença como crônica e complexa, passa pela desconstrução de estigmas, fortalece a atenção primária e investe em centros especializados e modelos de gestão que garantam equidade e custo-efetividade. As discussões e propostas apresentadas são um passo importante para a construção de um sistema de saúde mais eficaz e humanizado no enfrentamento dessa epidemia global. Continue acompanhando o Renova Receita para ter acesso a conteúdos variados e informações confiáveis sobre saúde, bem-estar e o que realmente importa no seu dia a dia.

Fonte: https://portal.cfm.org.br

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