A violência contra profissionais de saúde tem se tornado um desafio cada vez mais presente na rotina dos hospitais, clínicas e postos de atendimento. Diante dessa realidade preocupante, o Conselho Federal de Medicina (CFM) tem liderado o projeto "Divulga CFM", que busca ampliar a discussão e a implementação da Resolução CFM nº 2.444/2025. Recentemente, a iniciativa chegou ao Rio de Janeiro, em parceria com o Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremerj), marcando o encerramento da primeira etapa nacional e impulsionando a criação de um grupo de trabalho focado na segurança dos médicos, um passo essencial para garantir um atendimento de qualidade à população.
O Cenário da Insegurança na Saúde Brasileira
O ambiente de trabalho dos profissionais de saúde, já exigente por natureza, é agravado por episódios de violência que não podem ser naturalizados. O estresse, a sobrecarga e, por vezes, a falta de estrutura, criam um terreno fértil para agressões, que vão desde xingamentos e ameaças até agressões físicas, assédio moral e sexual. Essa instabilidade impacta diretamente a capacidade do médico de tomar decisões, compromete sua saúde mental e, em última instância, fragiliza todo o sistema de saúde, prejudicando o atendimento ao paciente. Proteger o profissional é, portanto, um investimento na saúde de todos.
A Resolução CFM nº 2.444/2025: Um Instrumento de Proteção
A Resolução CFM nº 2.444/2025 surge como um marco importante, estabelecendo diretrizes claras para tornar os ambientes de saúde mais seguros. O conselheiro federal Raphael Câmara Medeiros Parente reforça que a norma exige uma mudança de postura institucional, cobrando que gestores e autoridades implementem medidas preventivas e de resposta. Entre as ações previstas, destacam-se a instalação de dispositivos como o "botão de pânico", o reforço na segurança física das unidades e a criação de protocolos de atendimento a ocorrências, tudo com o objetivo de garantir condições de trabalho adequadas e, consequentemente, um serviço de saúde mais humano e eficiente.
Dados Alarmantes do Rio de Janeiro Acendem o Alerta
A gravidade da situação foi evidenciada por um levantamento inédito do Cremerj no Rio de Janeiro. Entre 2018 e 2025, foram registrados 987 casos formalizados de agressão contra médicos, um número que, por ser apenas o que foi reportado, sugere uma realidade ainda mais preocupante. A maioria (717) ocorreu em unidades públicas, mas as privadas também somam 270 ocorrências. As agressões verbais lideram com 459 registros, seguidas por 89 físicas e 208 de assédio moral. Esses dados são um claro sinal de urgência e demonstram a vulnerabilidade a que esses profissionais estão expostos diariamente.
Um ponto que merece destaque é a predominância de mulheres médicas entre as vítimas. O presidente do Cremerj, Antônio Braga, chamou atenção para a inaceitável ocorrência de violência sexual dentro das unidades de saúde, um extremo que reforça a urgência de medidas protetivas específicas. Sua enfática declaração, "Sem segurança não há médico e sem médico não há saúde", sublinha a interdependência entre a proteção do profissional e a funcionalidade do sistema de saúde como um todo. A falta de segurança afasta talentos e diminui a qualidade da assistência.
Medidas Práticas e a Força da Articulação
As discussões no Rio de Janeiro avançaram para ações concretas, como a implementação da Lei estadual nº 11.070/2025, que prevê o botão de pânico nas unidades de saúde, uma ferramenta essencial para acionamento rápido de ajuda. A proposta de um grupo de trabalho interinstitucional no estado visa integrar setores como saúde, segurança pública e justiça, criando estratégias conjuntas de prevenção e resposta. Essa articulação é fundamental para que as medidas propostas saiam do papel e gerem um impacto real no cotidiano dos profissionais.
Para que a violência seja combatida de forma eficaz, o registro formal das ocorrências, por meio do boletim de ocorrência (BO), é indispensável. Roger Ancilotti, representando a Polícia Civil, enfatizou que formalizar a agressão é o primeiro passo para a investigação e a responsabilização dos agressores. Muitas vezes, o medo ou a burocracia desmotivam a denúncia, mas sem ela, os casos permanecem impunes e invisíveis, impedindo o mapeamento do problema e a implementação de soluções eficazes. A colaboração entre médicos e autoridades é vital nesse processo.
A segurança dos profissionais de saúde é um pilar crucial para a sustentabilidade e a qualidade do nosso sistema de saúde. O projeto do CFM, ao disseminar a Resolução nº 2.444/2025 e promover debates sobre o tema, como o realizado no Rio de Janeiro, é fundamental para conscientizar a sociedade e impulsionar ações concretas. Proteger quem cuida da vida é uma responsabilidade coletiva que beneficia a todos, garantindo que o atendimento em saúde seja prestado em condições dignas e seguras. Para continuar acessando informações relevantes, práticas e atualizadas sobre saúde e bem-estar, acompanhe o Renova Receita. Nosso portal está sempre comprometido em oferecer conteúdos variados e informações confiáveis para o seu dia a dia.
Fonte: https://portal.cfm.org.br
